quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Atualmente

atualmente, hesito entre duas palavras.
penso, repenso... e escolho uma terceira.
no fim, acabo dizendo um sinônimo.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Tudo se compõe e se decompõe

Um dia me perguntei o motivo do tempo não passar voando como eu queria. Concluí coisa alguma. Passava da forma que passava sobretudo porque tudo passava.
Perguntei por que a moda mudava e me responderam que, se era moda, tinha de mudar.
Perguntei por que os amigos mudam. Nada me responderam e só depois compreendi que não eram os amigos que mudaram, eram as pessoas.
Vi e percebi que tudo mudava, com exceção de algumas certezas que eu julgava absolutas.
E não adiantava dizer que era tamanho “único”, porque isso significava que não prestava pra ninguém, nem que a felicidade estava nas prateleiras do supermercado ou no shopping mais próximo, feito essas coisas que a gente adora, mas olha com desdém.
Não adiantava saber tudo, porque o tudo logo, logo era um nada. E saber nada às vezes é tudo.
A idéia da pessoa perfeita não fazia mais minha cabeça, porque, inevitavelmente, um dia todas as mentiras brilhosas dão lugar à verdade aterradora e tudo se esvai. A pessoa perfeita deixa de ser perfeita pra ser humana – mutável e amável. Você começa a compreender que tudo que você odiou no passado hoje passa a ser possível. Depois de um tempo, toda a raiva e decepção não passa de uma pedra que você encontrou no caminho e subiu em cima, pulou, sorriu e gritou vitória. Se não gritou vitória, trocou súplicas e frases carinhosas cheias de abraços feito os casais que dão certo. E tudo dá certo, mesmo que seja por um único segundo. Esse único segundo é capaz de durar toda a eternidade, até a eternidade.
Tudo se compõe e se decompõe.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Suspeito

Suspeito, suspeito muito que, fundamentalmente, o grande desafio de enfrentar nossos erros não seja puramente enfrentá-los: seja assumi-los. Ainda mais quando o erro é inconfessável.

Mas, no fundo, no fundo do fundo mesmo, não há erro inconfessável quando você se livra do cansaço e do suor do dia-a-dia, do peso das relações sociais, das intempéries do trabalho, toma banho, janta e deita na cama. Pronto. É lá na cama, você, sozinho entre lençóis e travesseiros e a grande prisão libertária: consciência livre que aprisiona, uma ilha onde não há como fugir pois não há pra onde fugir.

Suspeito, suspeito muito mesmo que minha consciência e a reflexão de meus atos (e da omissão dos atos que deveriam ter sido tomados) seja meu mito da caverna pessoal, uma prisão decretada e irrevogável, intransferível, um incancelável e urgente cerceamento de vontades.

Pois, um novo futuro - esse foguete que nunca vem e eu, desde já, já estou atrasado - precisa mais do que borracha e corretivos para enfrentar o passado. O futuro pPrecisa mesmo é de canetas e ideias novas pro horizonte que vai até onde o meu olho alcança (mesmo que ele esteja fechado).

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O que dói mesmo

O que dói mesmo é a ausência do esperado, o inesperado sumiço, o tchau sem percepção, o adeus escondido. O fazer o que for preciso, não o que é desejado.

Quando não se promete nada (e se faz tudo), as coisas apresentam camadas e camadas de verniz novo, mais bonito, mais brilhante, mais alegre.

Nas prateleiras onde as pessoas "não-comerciáveis" se colocam, um monte delas se destacam: há as que vem e vão sem quê, nem porquê, mas que deixam histórias e, fundamentalmente, há as que se não existissem, nem falta fariam.

Saudade mesmo do que nem começou, do "quase", do "isto", do "estar entre", do famoso "pode ser que".

Saudade das minhas lembranças.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Das missas, cultos ecumênicos e outras manifestações religiosas

Preciso ser mais tolerante, com certeza. Mas quem não precisa?
Ontem fui num culto ecumênico. Percebi, na verdade, que culto ecumênico ("Ecumenismo", Substantivo masculino. Movimento que visa a unificação das igrejas cristãs (católica, protestante e ortodoxa), é uma celebração totalmente evangélica, protestante. Pouco espaço para o padre - e até para um representante espírita, um ponto alto da celebração, orador que prende a atenção e desperta o desejo de vencer o preconceito.

O bom de celebrações religiosas é o poder místico, o caráter de seita que busca vencer os medos, enfrentar os desafios, superar a si mesmo. Mas ontem fiquei com a velha pulga atrás da orelha: por que, toda vez (tá, ignoremos o exagero do toda vez) que um evangélico fala, ele fala em tom de sermão, exagera em "amém" e "deus", além de sempre querer ressaltar o toque de Deus, a existência, a "missão concedida especialmente para mim"? O "ele falou comigo" sempre me soou meio exagerado. Além do mais, esse discurso de humildade sempre foi mais tendencioso que realmente humilde. Os "destaques evangélicos" de ontem pregam a humildade e nasceram em berço de ouro, aliás, tem ouro espalhado por toda a parte do corpo. Ouro, tatuagem, cabelo na chapinha... Enfim, para quem não adora imagens, o culto à sua própria imagem tá até bem.

Longe de mim, incitar desavenças entre religiões (quem diria...). A religião é verdadeiramente uma bênção para muitos. Mas, para a grande maioria das pessoas que conheço, a religião mais puniu que salvou. E, quando só há punição, não há crescimento alegre. Só crescer na dor é travar o potencial das benesses que a gente nem sabe quais são porque o futuro tem por missão surpreender os espertos que prevêem e pensam que sabem.

"Então tentar prever serviu pr'eu me enganar!".

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Vander Lee



Nesse mundo de superartistas, o superartista está cada vez mais raro.

Vander Lee é, com voz e violão, o momento onde qualquer frase boba soa como poesia; qualquer canto vira hino; qualquer instante rápido vira momento infinito.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Cheiro de infância

Acredite: infância tem cheiro.

Cheiro de vontade, cheiro de lembranças, cheiro de saudades.

De repente, as lembranças mais remotas chegam, como se tivessem adormecidas n'um quarto escuro qualquer da memória.

Lembrança, mais que cheiro, tem textura. Tem cor, tem formas, tem imagens. Imagens que chegam (de repente) e parecem que nos apunhalam, fincando lâmina bem onde mais dói: a gente fica com a sensação de que o melhor já passou, que "éramos felizes" e - pior - agora não somos mais (nem poderemos voltar a ser).

Às vezes, a memória não passa de uma mobília cheia e constante de lembranças e frustrações, de sonhos podados, de gestos que não se fazem mais, de coisas que não mais acontecem, da areia do campo de terra batida substituído pelo concreto armado dos prédios, do mágico e do místico olhar e conhecer pela primeira vez. A memória é um dever de casa que deve sempre ser refeito.